Wednesday, December 13, 2006

Porta-luvas e guarda-chuvas!

Às vezes ponho-me a pensar nas inúmeras palavras que usamos diariamente e pergunto-me se serão as mais adequadas, pois a sua composição é estranha e dúbia, e diria até desassociada com o seu contexto ou uso real. Por exemplo quem é que guarda luvas no porta-luvas? E quem as guarda, será que só usa o porta-luvas para esse fim? Não seria melhor chamarmos "mala de tablier"? Ou até "porta-objectos"? É claro que não nos soa bem, por culpa da primeira expressão à qual já ninguém refuta, porque é um dado adquirido da nossa língua. Outro excelente modelo de justaposição é o guarda-chuva. Um objecto que tem um uso contrário ao significado da expressão. Quem é que guarda a chuva? Nós queremos é livrarmo-nos dela! Quanto muito guarda-nos da chuva! Proponho aqui algumas expressões que funcionariam melhor: "Protege-chuva", "impede-chuva", "abrigo da chuva" ou "põe-te seco".
O que vos parece?

Thursday, November 30, 2006

Adeus colega das noites inquietas!


Obrigado pela tua companhia poética... Cesariny.

À mesa com provérbios (parte II)

"Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo".
Meus amigos, enquanto houverem mentirosos e vigaristas neste país (políticos) resguardados no seu espaço (parlamento), os coxos (doentes) serão sempre os apanhados pela mão (hospitais, saúde pública,...) que os castiga (infelizmente).

"O Coiso e a Cena"

Num qualquer dia de semana fui à janela da minha toca e dei com o seguinte espectáculo:
Dois miúdos, com idades entre os 12 e 15 anos, cruzaram-se de bicicleta, pararam e disseram isto:
- Atão! Vais a casa do coiso?
- De quem?
- Do coiso!
- Ah! Vou, vou. Olha vou levar-lhe aquela cena!
- Qual cena?
- Aquela cena!
- Ah! Leva, leva que é melhor.
- Vá, fica bem.
- Até logo.
Em boa verdade vos digo, nem mesmo os espiões da Guerra Fria desencriptariam tal código!

Saturday, November 25, 2006

Só para que fique claro...

Hades – Deus dos Infernos, na mitologia grega. Identificação mais tarde com o Plutão dos romanos.

Hás-deHás é a segunda pessoa do singular do presente do indicativo do verbo haver (eu hei, tu hás, ele), e de é uma preposição.O hífen serve para ligar estas duas palavras: hás e de.
Exemplo: "Hás-de passar por minha casa para veres comigo aquele filme de que te falei."

A Tempo, o que é de Tempo…

Tempo é a uma das palavras homógrafas mais utilizada no quotidiano e que significa duração cronológica e estado climático ou meteorológico.
É comum dizer-se: "Os tempos mudaram"; "Não me agrada o tempo de hoje"; Não está bom tempo"; "No meu tempo não era assim!"; "Não tenho tempo para isso".
Existe um sem fim de contextos, onde, esta curiosa expressão aparece. Ela serve para tudo.
Desde motivo para abordagem de conversa:
- Então Maria! Já viste este tempo?
- É verdade Lucinda, nunca mais muda este tempinho desagradável.
Serve também como motivo de queixa:
- Ando cá com umas dores nos ossos, deve ser da mudança de tempo.
Já para não falar da típica saudação em dias pluviosos:
- Bom dia Joaquina!
- Mau dia! Não está nada bom! Tá de chuva!
O que não deixa de ser ambíguo, pois para alguns pode estar um lindo dia cinzento, bafejado com a bendita chuva. Que o digam os agricultores após períodos de seca prolongados!
Como se isto não bastasse, as pessoas ainda tentam adivinhar o tempo que vai estar para o dia seguinte…e não, não estou a falar dos meteorologistas.
Não quero deixar de falar do outro tempo, que ao que parece não escapa à superintendência humana, e isto porque a duração dos dias parece estar a encurtar neste virar de século, apesar de continuar a ter 24 horas.
Frases como: "Não tenho tempo para isso"; "Tenho pouco tempo", ilustram bem a posse que detemos do nosso tempo.
Senão esta serve a presente para exemplificar melhor: "Posso roubar um pouco do teu tempo?"
Segundo me consta ninguém possui o tempo, ele é de todos. E roubar?! Isto hoje há ladrões para tudo. Porque não ladrões de tempo, que roubam preciosas horas daqueles que já de si são atarefados! Ridículo, hã?
Mas é assim este nosso falar. Porquê mudá-lo?

Thursday, November 23, 2006

Há coisas que não têm explicação!




Mas afinal quem é que se anda a divertir na Conservatória do Registo Civil?
(Cliquem no ficheiro e abram a imagem para um formato maior. Guardem-na no PC, em formato JPEG, caso não consigam ver)




Wednesday, November 22, 2006

À mesa com provérbios (parte I)

Quantas não são as vezes em que ouvimos dizer «À terceira é de vez»? Espressão muito utilizada quando referida à sorte e que pressupõe duas, anteriores, "tentativas" falhadas. São os exemplos: quando uma equipa de futebol perde 2 jogos seguidos ou após 2 partidas desafortunadas de sueca - no centro recreativo da aldeia -, em que o nosso parceiro sexuagenário pragueja dizendo: «É agora qu'agente ganha!»
Porém toda esta teoria vai pelo cano de esgoto abaixo quando o treinador da equipa adversária ou a outra dupla de jogadores de sueca nos dizem com um sorrisinho malicioso: «Não há duas sem três...»
Cá está! Duas simples expressões a entrarem em conflito! Uma nega a outra e vice-versa. Em que é que ficamos afinal? Quem é o responsável por ter criado uma expressão proverbial quando já havia outra a contradizer?

Inauguração...

E é assim que, no meu humilde covil, decidi criar um blog que não pretende, unicamente, criticar ou especular - antes constatar e apreciar o quotidiano curioso de um país que é distinguido por ter colossais Bilhetes de Identidade, pessoas que consideram caracóis um petisco dos deuses e de filmes tão aborrecidos, que fazem o teatro parecer uma ida à montanha-russa.

E é com essa intenção parodial que começo, neste espaço, a escrever.

Deliciem-se...
Chacal - Quadrúpede mamífero, carnívoro, selvagem, pertencente à família de canídeos. Tem o aspecto da raposa e do cão, e a cabeça parecida com a do lobo. Emite um cheiro especial e vive nas regiões quentes. Alimenta-se de pequenos roedores, o que o torna útil para limpar as zonas de abundância de ratos e ratazanas. Também se alimenta de bagas e fruta da época. É um animal relativamente sedentário, no entanto em situações de emergência consegue correr 43 km por hora, o que é surpreendente tendo em conta a sua fisionomia.
No Antigo Egipto era a representação de Anubis, filho de Osiris, o guardião dos mortos.
Nas lendas de folclore o chacal servia o tigre como batedor no terreno, o que mais tarde lhe granjeou uma reputação considerável, tornando-o independente. Ao chacal ficaram, assim, associadas as características de explorador, aventureiro e oportunista.